segunda-feira, 29 de julho de 2013

‘Hormônio do amor’ pode aumentar o medo e a ansiedade

Pesquisa americana descobre que a oxitocina reforça memórias sociais negativas, podendo aumentar a ansiedade, o medo e o stress

   A oxitocina é conhecida como o “hormônio do amor”. Descoberta no início do século 20, essa molécula está diretamente relacionada à empatia, à moral e ao laço afetivo entre uma mãe e seu bebê. Nos últimos anos, descobriu-se ainda que a oxitocina é liberada durante o sexo e que ela tem um papel preponderante na confiança e cooperação entre animais. Seu viés positivo levou a diversos testes clínicos para o uso farmacológico desse hormônio, como o tratamento da ansiedade exacerbada. Mas agora, uma nova pesquisa vem engrossar o ainda pequeno número de evidências que apontam para um lado obscuro da oxitocina. De acordo com um estudo da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, esse hormônio pode causar sofrimento, como uma sensação aumentada de medo e de stress. O estudo foi publicado no periódico Nature Neuroscience.

Oxitocina: conhecido pelo seu papel positivo na empatia social, o
 hormônio também está relacionado com sensações de ansiedade e stress (Thinkstock)

   Segundo o estudo americano, a oxitocina aparenta ser o motivo pelo qual situações estressantes, como sofrer bullying na escola ou mesmo ser atormentado pelo chefe, podem desencadear sentimentos ruins depois de um tempo do evento. Para isso, o hormônio age fortalecendo a experiência social em uma área específica do cérebro. Em outras palavras, isso significa que se um acontecimento social é negativo ou estressante, o hormônio acaba por intensificar essa memória.
   Pesquisa — Como o stress social crônico é uma das principais causas de ansiedade e depressão, conhecer esse lado “negro” do hormônio se torna fundamental. Ainda mais por causa do grande número de estudos clínicos sobre seu uso terapêutico no controle da ansiedade. “Ao compreender o sistema duplo da oxitocina em desencadear e reduzir a ansiedade, dependendo do contexto social, podemos melhorar os tratamentos com esse hormônio”, diz Jelena Radulovic, autora sênior do estudo e professora na Escola de Medicina Feinberg, da Universidade Northwestern.
   Os pesquisadores descobriram que a oxitocina fortalece memórias sociais negativas e ansiedades futuras ao desencadear uma importante molécula de sinalização, conhecida como ERK. Essa molécula se torna ativa por seis horas depois de ocorrida uma experiência social negativa. Já a sensação de medo acontece porque a ERK estimula uma região cerebral envolvida em respostas emocionais e com o stress.
   A nova pesquisa é semelhante a três estudos recentes com o hormônio — todos começam a apresentar interpretações complexas do papel do hormônio nas emoções. Esses experimentos foram realizados em uma região cerebral na qual é encontrado o mais alto índice de oxitocina, além de ter uma quantia alta de receptores do hormônio.

FONTE: revista VEJA