segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Estudo faz o mais completo mapeamento da extinção na Era do Gelo


    A mensagem do estudo mais completo já feito sobre o sumiço da megafauna, conjunto de grandes mamíferos da Era do Gelo, é que essa extinção em massa não foi tão "em massa" quanto parece.
    As causas do desaparecimento variam de espécie para espécie e envolvem mudanças climáticas, o interesse de caçadores humanos na carne dos bichos e, no caso mais famoso, o dos mamutes, fatores ainda incertos.
    É o que conclui a equipe liderada por Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, em artigo na revista "Nature", após analisar dados de seis espécies: rinocerontes-lanosos, mamutes-lanosos, cavalos-selvagens, renas, bisões-das-estepes e bois-almiscarados.
    Entre esses bichos, renas e bois-almiscarados ainda estão por aí, mas com sua distribuição geográfica drasticamente reduzida --na Era do Gelo, havia renas até na França. Europa e Ásia tinham bois-almiscarados, hoje reduzidos ao Ártico americano.
    Willerslev e companhia são especialistas em DNA antigo --dominam técnicas de extração e análise de material genético a partir de ossos com milhares de anos. A equipe analisou mais de 800 amostras de DNA dos bichos e as datou com precisão.
     Os cientistas montaram uma espécie de filme sobre como variou a genética das populações da megafauna ao longo de milhares de anos --de 40 mil anos até 10 mil anos antes do presente.
   Os dados genéticos permitem acompanhar o comportamento da população de animais ao longo dos séculos.
    O retrato traçado pela pesquisa envolve mais duas fontes. A primeira é o mapa dos habitats de cada espécie ao longo dos milênios, levando em conta variações do clima e da vegetação (as espécies eram herbívoras).
   Com isso, dá para saber se o habitat de um animal encolheu tanto que poderia ter levado o coitado à extinção.
   A segunda fonte é a presença de caçadores humanos, denotada por sítios arqueológicos que coexistiram com a megafauna.
   Com isso em mãos, vieram algumas surpresas. Nos 10 mil anos após o primeiro contato com humanos, as populações de rinocerontes e mamutes cresceram, o que derruba a hipótese da caça intensa. Já os bois-almiscarados quase não eram caçados.
   Há indícios claros de contribuição humana para a extinção apenas de renas, bisões e cavalos. Mesmo assim, a mudança climática também seria importante.
  O trabalho não aborda a extinção na América do Sul. O Brasil tinha cavalos selvagens, lhamas, mastodontes e preguiças-gigantes.





FONTE: http://bionarede.blogspot.com/2011/11/estudo-faz-o-mais-completo-mapeamento.html

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Satélite brasileiro e americano pretende mapear com precisão inédita ecossistemas da Terra

Proposta depende de aprovação da Nasa. Se passar, missão vai ajudar a prever com mais precisão as mudanças climáticas a partir de 2016

A foz do rio Amazonas vista do espaço: satélite vai mapear com precisão ecossistemas terrestres (Nasa)

    Cientistas brasileiros e americanos estão trabalhando para lançar um satélite que vai enxergar a 'impressão digital' do planeta. A sonda ajudará cientistas a prever com muito mais precisão as mudanças climáticas em diferentes ecossistemas. A proposta, feita em conjunto pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ministério de Ciência e Tecnologia, Agência Espacial Brasileira e pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL), o laboratório de propulsões da Nasa, foi anunciada durante a Fapesp Week em Washington.
    Se o projeto for aprovado, será a primeira vez que o Brasil constrói um satélite junto com a Nasa. A proposta foi entregue em setembro e receberá uma resposta em abril de 2012. O satélite seria lançado em setembro de 2016 a partir de um centro de lançamento russo ou indiano.
    A missão, batizada Global Terrestrial Ecosystem Observatory (GTEO), vai mapear em escala global, pela primeira vez, o ecossistema terrestre com grande precisão. A sonda vai usar um instrumento construído pelo JPL que consegue analisar o solo usando espectroscopia.
   A técnica relaciona a quantidade de luz refletida por um objeto e sua composição química. "Vamos conseguir enxergar os tipos de plantas e se existe mais ou menos água em determinada região", disse Gilberto Câmara, diretor do Inpe. De acordo com o diretor, a única vez em que um instrumento do tipo foi usado aconteceu em uma missão à Lua.
    Os dados vão avançar o entendimento e previsão do ciclo de carbono e sua influência no aquecimento do planeta e na evolução da cobertura de vegetação na Terra. Atualmente, os satélites de monitoramento do ambiente não conseguem enxergar pequenas alterações importantes nos níveis de stress na vegetação durante a variação do clima. 
    Tapete verde — Essas variações ajudariam a construir modelos de previsão para o meio ambiente com muito mais precisão. "Hoje vemos apenas um tapete verde nas imagens", disse Câmara. "O GTEO vai dizer exatamente o que está acontecendo na superfície do planeta", acrescentou Robert Green, cientista chefe da missão, engenheiro do JPL. 
    O satélite vai dar 14 voltas na Terra todos os dias a uma altitude de 626 quilômetros. De acordo com Green, o Brasil será visitado quase todos os dias e terá um mapa completo a cada 19 dias. Duas bases terrestres, uma na Noruega e outra em Cuiabá, receberão as informações. "Tudo será publicado gratuitamente na internet", de acordo com Câmara.
    Câmara explicou que o Brasil vai fornecer o corpo do satélite. "Vamos construir a caixa, o painel solar, o computador de bordo, o sistema de controle de energia e envio de informação de dados", disse. Segundo Green, os EUA vão fornecer o instrumento que vai fazer a medição das informações.
    O projeto tem custo previsto de 250 milhões de dólares. O Brasil gastaria 100 milhões no lançamento e corpo da sonda e os EUA desembolsariam o resto com o instrumento. Na próxima quinta-feira (27), o presidente da Nasa, Charles Bolden, visitará as instalações do Inpe para discutir a missão com cientistas brasileiros. 

FONTE: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/satelite-brasileiro-e-americano-pretende-mapear-com-precisao-inedita-ecossistemas-da-terra

domingo, 30 de outubro de 2011

Edital do Ciência sem Fronteiras para 2012 sai em novembro

     Ao iG, presidente da Capes, Jorge Guimarães, conta que pelo menos 20 mil vagas para Alemanha e Reino Unido já estão garantidas
      A grande divulgação prática do programa Ciência Sem Fronteiras, que pretende distribuir 100 mil bolsas de estudo no exterior a universitários brasileiros, deve acontecer em novembro. Apesar de o lançamento oficial do projeto ter ocorrido em julho, será no próximo mês que a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgarão um edital conjunto de bolsas para o ano que vem.
    Em entrevista ao iG, o presidente da Capes, Jorge Guimarães, afirmou que esse novo edital trará as condições para que os estudantes se candidatem a pelo menos 20 mil bolsas oferecidas pelo Reino Unido e pela Alemanha. Além dos dois países, há acordos sendo feitos com os Estados Unidos (mas ainda sem definição de quantas vagas), França, Itália e Canadá, que aumentarão esse número. O Canadá será visitado por Guimarães nos próximos dias.
    A maior parte das bolsas será oferecida a estudantes de graduação em uma modalidade relativamente nova nos programas de intercâmbio mantidos pela Capes: a graduação-sanduíche. Ela exige estratégias diferentes. As universidades brasileiras precisam se comprometer a aproveitar os estudos feitos pelos universitários fora do País. Ao todo, 165 instituições já aderiram ao programa.
    Além disso, alguns critérios passam a ser importantes na seleção dos candidatos. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é um deles. Os estudantes que tiveram mais de 600 pontos na prova somam pontos a seu favor, assim como aqueles que atuaram em projetos de iniciação científica e os premiados em olimpíadas científicas. Para participar, o candidato também precisa já ter cursado parte da graduação (pelos menos 40%) e deve ter concluído até 80% dos créditos do curso.
      A primeira seleção, ainda em processo, serviu como “experiência”, segundo o presidente da Capes. As inscrições para as primeiras bolsas do programa foram abertas no final se setembro e terminaram na semana passada. Guimarães conta que mais 8 mil jovens se candidataram às 1,5 mil bolsas que serão distribuídas nessa primeira leva, a partir de janeiro. A maior parte dos candidatos tem 19 anos.
     Ao longo dos próximos quatro anos, 75 mil bolsas serão oferecidas pelo governo federal, que espera o apoio de empresários para abrir outras 25 mil vagas durante esse período.

Repercussão
    Guimarães conta que, no mundo inteiro, o programa brasileiro para incentivar a formação de estudantes brasileiros e pesquisadores na área tecnológica teve grande repercussão. Para ele, os motivos vão além das crises financeiras pelas quais muitos países passam – em grande parte da Europa e Estados Unidos, as universidades são pagas. “O Brasil é bola da vez. Na Europa, há um problema de envelhecimento da população, há cidades fechando escolas primárias. É uma boa oportunidade”, diz.
     Por causa disso (e das crises econômicas), o governo brasileiro conseguiu barganhar os valores das taxas cobradas pelas instituições. No Reino Unido, por exemplo, cada aluno custará 15 mil libras ao ano. Normalmente, os custos chegariam a pelo menos 20 mil libras. Vale lembrar que, além das taxas, o governo federal vai pagar as bolsas aos selecionados para que eles se mantenham nesses países.
    Jorge Guimarães conta que instituições da Ásia têm procurado a Capes para tentar firmar parcerias. “O Ciência Sem Fronteiras provocou verdadeira euforia aqui no País e lá fora. Há muitos jovens que não teriam uma chance dessas e podem sonhar com a possibilidade de estudarem em universidades de alto padrão no mundo todo”, avalia.

Busca de talentos
     O projeto do governo federal – que, de acordo com o presidente da Capes, é acompanhado passo a passo pela presidenta Dilma Rousseff – é não só enviar estudantes brasileiros para o exterior como também trazer pesquisadores renomados para o País. Além de estrangeiros, brasileiros que estão morando longe de casa são alvo dos programas. No mês que vem, um edital de atração também será lançado.
      A proposta é trazer pesquisadores para longas e curtas temporadas. Entre os que serão convocados para ficar pouco tempo, são alvos do governo federal cientistas que já ganharam Prêmio Nobel. Espera-se convocar 2 mil pessoas nos próximos quatro anos.

Entrevista: dos telômeros à origem da vida

   Vencedor do prêmio Nobel de Medicina com o estudo de telômeros, o bioquímico Jack W. Szostak pretende descobrir a origem da vida
    Uma noite antes de ficar sabendo que havia recebido o Prêmio Nobel de medicina, em outubro de 2009, o pesquisador bioquímico Jack W. Szostak diz ter dormido como um bebê.
    ''Eu não perderia uma noite de sono por causa de um trabalho que fiz na década de 1980’', disse rindo Szostak, de 58 anos, durante uma recente entrevista de duas horas em seu laboratório, no Massachusetts General Hospital. ''Era um trabalho antigo’'.
     O ''trabalho antigo’', pelo qual ele já havia recebido o Prêmio Lasker, era ajudar a identificar a natureza e a bioquímica dos telômeros, as extremidades de cromossomos. Compreendê-los pode ser a chave para destravar os mistérios do câncer e do envelhecimento celular. Segue uma versão editada de nossa conversa.

P: A pesquisa de telômeros foi o trabalho de sua vida?
R: Era um tipo de projeto paralelo. Antes de começar a trabalhar com telômeros, eu vinha estudando a recombinação de DNA. O que as células fazem quando veem um pedaço quebrado de DNA? Células não gostam dessas quebras.
Elas fazem basicamente todo o possível para consertar as coisas. Se um cromossomo está quebrado, as células reparam essa quebra usando um cromossomo intacto. Esse processo é chamado de recombinação. E era isso que eu vinha estudando.
Agora, os telômeros: eles são as extremidades dos cromossomos, as pontas, e não recombinam. Certo dia em 1980, ouvi Liz (sua colega Elizabeth H. Blackburn) falando numa conferência sobre o comportamento dos telômeros. Foi o contraste entre o DNA que ela estava analisando e o material que eu estava estudando que me chamou a atenção. Eu queria entender o que estava acontecendo. Então escrevi para Liz logo em seguida.

Jack Szostak, bioquímico que ganhou o Nobel de Medicina em 2009, em seu laboratório em Boston

P: O que vocês descobriram juntos?
R: Descobrimos o que acontecia nas extremidades de cromossomos normais.
Desvendamos a bioquímica fundamental e mostramos que muitos organismos diferentes usam essa bioquímica. Descobrimos que havia uma enzima, a telomerase, que agrega DNA às extremidades dos cromossomos para equilibrar o DNA que é naturalmente perdido quando as células crescem.
Mais tarde, conforme as pessoas do campo começaram a enxergar a importância disso, a pesquisa de telômeros simplesmente decolou. Ficou claro que a perda de DNA nos telômeros podia ter algo a ver com o envelhecimento.
Subsequentemente, vimos que em quase todos os cânceres, a telomerase fica ativada de forma que aquelas células crescem indefinidamente. Claro, é muito bom quando um trabalho realizado há tanto tempo acaba se mostrando importante! Mas a verdade é que meu trabalho partiu em vários caminhos diferentes.

P: O que você estuda hoje?
R: As origens da vida. Em meu laboratório, estamos interessados na transição da química ao começo da biologia na Terra. Voltemos à Terra inicial – digamos que em algum momento nos primeiros 500 milhões de anos. E digamos que a química certa para criar os blocos de construção da vida aconteceu e você tem as moléculas certas para criar a fagulha da vida. Como esses elementos químicos se unem e agem como uma célula? Você quer algo que possa crescer e se dividir – e, o mais importante, exibir uma evolução darwiniana.
Estudamos isso tentando reproduzir esse processo no laboratório. Pegamos elementos químicos simples e os unimos da maneira correta. E estamos tentando construir uma célula muito simples, que possa se parecer com algo que teria se desenvolvido espontaneamente no começo da terra.

P: Até onde vocês chegaram?
R: Talvez eu possa dizer que estamos na metade do caminho.
Achamos que uma célula primitiva precisa ter duas partes. Primeiro, ela precisa ter uma membrana celular que possa ser uma fronteira entre si mesma e o restante do mundo. E é preciso haver um material genético, para desempenhar algumas funções que sejam úteis à célula e possam se replicar para serem herdadas. A parte que pudemos entender razoavelmente bem é a da membrana. O material genético é o maior problema; a química é mais complicada. O enigma tem sido compreender como uma molécula como o RNA pôde se replicar antes de existirem enzimas e todos esses aparatos biológicos complexos, maquinário de proteínas, que temos hoje em nossas células.

P: É bastante incomum que um pesquisador com grandes descobertas numa área científica passe a estudar algo completamente diferente. Por que trocar de campos?
R: Porque em meados da década de 1980, ficou claro quais eram as dúvidas com os telômeros e que elas seriam estudadas perfeitamente bem por outras pessoas. Não sou o tipo de pessoa que aprecia muita concorrência. Não gosto da sensação de que, se eu não estivesse realizando certo tipo de trabalho, isso não faria diferença. Se algo vai ser realizado de qualquer forma, qual é o sentido, certo?
Durante cerca de um ano, frequentei cursos aqui em Harvard, buscando por algo para trabalhar. Examinei a neurociência cognitiva, que é incrivelmente fascinante, mas parecia difícil demais. A estrutura do RNA me atraiu, pois poderia ser a chave para entender o início da vida na Terra.

P: Você já trabalha nessa questão há um quarto de século. Nunca se cansa do assunto?
R: Não. Não. Pois isto não é uma questão monolítica na qual não existe nada interessante até chegar ao fim. Na verdade, o problema se divide em talvez uma dúzia de problemas menores. Cada um tem partes interessantes. Posteriormente, todos se encaixarão.
Por exemplo, fizemos progressos na questão de como criar uma membrana de célula primitiva. Outros mostraram como um mineral comum da argila, a montmorilonita, pode ter desempenhado um papel ajudando a produzir RNA.
Nosso laboratório mostrou como ela pode ajudar as membranas a formar e trazer o RNA para dentro da membrana.

P: Você tenta verdadeiramente criar vida em seu laboratório. Essencialmente, você está tentando provar a teoria evolucionária em uma placa de Petri. Como os fundamentalistas religiosos reagem ao seu trabalho?
R: Depois que o trabalho com a argila foi publicado, recebemos muitos e-mails de fundamentalistas: ''Isso é maravilhoso. Estamos muito felizes que você tenha mostrado que tudo aconteceu conforme está escrito na Bíblia ou no Corão’'. Em Gênesis, tudo começa com a argila, ou barro.

P: Crescendo no Canadá, você era uma daquelas crianças que realizavam experimentos químicos na cozinha?
R: Fizemos coisas ridiculamente perigosas. Mas elas também eram emocionantes. Lembro-me que em 1967, quando houve aquele terrível incêndio no foguete Apollo 1, da Nasa, que matou três astronautas, meu pai produziu oxigênio puro e colocamos fogo num pequeno recipiente. De repente, tínhamos um jato e um fogo inacreditáveis. Você podia ver exatamente o que havia acontecido.
Não tem como fazer isso numa casa de hoje. Imagino que muitas crianças tenham perdido olhos e membros com as coisas antigas. A preocupação é compreensível. Mesmo assim, uma criança precisa ver algo acontecer para ficar animada. Meu filho mais novo, de 11 anos, gosta de química. Encontrar algo que ele ache emocionante experimentar é um desafio.

P: O Prêmio Nobel mudou sua vida?
R: nada significativo está diferente. Mais pessoas me abordam em conferências e querem tirar uma foto comigo. Eu não diria que ficou mais fácil obter a aprovação de nossos artigos ou financiamentos de pesquisa.
O que acontece na cerimônia do Nobel é que, durante uma semana, você é tratado como uma estrela. Um motorista o leva para qualquer lugar. Você tem acompanhantes para assegurar que você sempre chegue onde está indo. E você sempre fica na parte de trás da limusine. Então ouvimos essa história, sobre um laureado do Nobel que volta para casa, abre a garagem, senta no banco traseiro de seu carro e fica esperando.


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Partículas presentes em produtos químicos alteram cérebro

      Estudo mostrou que exposição à nanopartículas encontradas em tintas, cremes e protetores solares afeta funções cerebrais
     Nanopartículas de dióxido de titânio, utilizadas em vários produtos, de tintas até cremes solares, podem alterar uma barreira essencial que protege o cérebro de elementos tóxicos, segundo estudo divulgado esta quarta-feira na França.
     Os resultados do estudo em laboratório sugerem que a presença de nanopartículas de dióxido de titânio (TiO2) poderia ser a origem de uma inflamação cérebro-vascular, informou o Comissariado francês de Energia Atômica (CEA) em um comunicado.
     A exposição crônica a estas nanopartículas "poderia dar lugar a um acúmulo no cérebro, com risco de perturbações de certas funções cerebrais", alertou o CEA.
     Um estudo feito com ratos já tinha demonstrado em 2008, através de uma instilação nasal, ser possível detectar nanopartículas de dióxido de titânio no cérebro, particularmente no bulbo olfativo e no hipocampo, estrutura com papel chave na função da memória.
    Os cientistas buscaram a explicação de como estas nanopartículas apareceram no cérebro, que é protegido de substâncias tóxicas por uma estrutura particular: a barreira hematoencefálica (BHE).
      Equipes do CEA e da Universidade Joseph Fourier de Grenoble (sudeste da França) reconstituíram um modelo celular desta barreira protetora, associando células endoteliais (células da parede dos vasos sanguíneos), cultivadas em uma membrana semipermeável, e células gliais (do sistema nervoso).
     Graças a este modelo, que contém as principais características da barreira hematoencefálica presente no homem, os cientistas mostraram que uma exposição in vitro aos nano-TiO2 provoca seu acúmulo nas células endoteliais. Isto implica também a ruptura da barreira de proteção, associada a uma inflamação.
    A equipe constatou também uma redução da atividade de uma proteína (P-glicoproteína), que tem a função de bloquear toxinas suscetíveis de penetrar o sistema nervoso central, segundo os resultados deste estudo, publicados na edição online da revista Biomaterials.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Células de sangue menstrual são transformadas em embrionárias

      Com a técnica, cientistas brasileiros querem recriar células do músculo cardíaco para estudar arritmia rara Médicos do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), em parceria com o Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), conseguiram transformar células do sangue menstrual em células-tronco pluripotentes induzidas (iPS, na sigla em inglês) - reprogramadas para terem as mesmas características de células embrionárias. Trata-se de um importante avanço nas terapias celulares, que prometem reparar tecidos danificados por doenças ou traumas, já que as células embrionárias são capazes de se transformar em outros tecidos
      A ideia dos pesquisadores é gerar e estudar as células do músculo cardíaco de duas pacientes que têm uma arritmia cardíaca rara, chamada síndrome do QT longo. A primeira tentativa será com mãe e filha - que já tiveram amostras do sangue menstrual colhidas. Por conta da doença, elas sofrem crises de arritmias e podem ter uma morte súbita.
    “Com as células induzidas, vamos reproduzir a doença de mãe e filha ‘in vitro’ e estudar as atividades elétricas envolvidas. Isso vai permitir entender o comportamento anormal das células e testar novas drogas”, explica o pesquisador Antonio Carlos Campos de Carvalho, coordenador de ensino e pesquisa do INC.

FONTE: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/celulas-de-sangue-menstrual-sao-transformadas-em-embrionarias/n1597321438391.html

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Cientistas sequenciam DNA de mulher que viveu até os 115 anos

Estudo sugere que idosa tinha genes protetores contra demência e doenças associadas à velhice

Mulher mais velha do mundo: variações raras no DNA
podem ter protegido idosa contra doenças
       Cientistas holandeses fizeram o sequenciamento completo do DNA de uma mulher que viveu até os 115 anos de idade. 
       Tida como a mais idosa do mundo na época de sua morte, a mulher possuía a agilidade mental de uma pessoa décadas mais jovem e nenhum sinal de demência.
       O trabalho, divulgado durante uma conferência da American Society of Human Genetics em Montreal, no Canadá, sugere que a mulher tinha genes que a protegiam contra a demência e outras doenças associadas à velhice.
        Os especialistas esperam que mais investigações como essa possam, no futuro, esclarecer as associações entre variações genéticas, saúde e longevidade.
       O primeiro esboço do código genético de um ser humano foi feito há mais de dez anos. 
       Desde então, com a melhoria e o barateamento das técnicas de "leitura" do DNA, algumas centenas de indivíduos tiveram seus genes mapeados.
          A mulher, cuja identidade está sendo mantida em segredo, conhecida apenas como W115, é a mais idosa a ter seus genes mapeados.
          Ela doou seu corpo para pesquisas médicas, permitindo que cientistas estudassem seu cérebro e outros órgãos, assim como seu código genético completo.
Variações genéticas 
        A líder do estudo, a pesquisadora Henne Holstege, do Departamento de Genética Clínica do VU University Medical Center em Amsterdã, disse que W115 parece possuir algumas variações genéticas raras em seu DNA.
           Não está claro que papel essas variações teriam cumprido, mas a equipe suspeita de que os genes da mulher a protegeram contra a demência e outras doenças.
"Sabemos que ela é especial, sabemos que seu cérebro tinha absolutamente nenhum sinal de Alzheimer", disse Holstege à BBC.
"Talvez houvesse algo no seu corpo que a protegesse contra a demência". 
"Achamos que existem genes que talvez assegurem vida longa e protejam contra Alzheimer". 
     W115 nasceu prematura e não era esperado que ela sobrevivesse. Mas ela viveu uma vida longa e saudável, sendo levada para um asilo para idosos aos 105 anos. Ela morreu por causa de um tumor no  estômago, tendo recebido tratamento para câncer de mama aos cem anos. 
       Aos 113 anos, testes de sua capacidade mental revelaram o desempenho de uma mulher com idade entre 60 e 75 anos. 
       Exames feitos após sua morte não conseguiram identificar qualquer sinal de demência ou endurecimento de artérias associado a doenças do coração
      Para o progresso da ciência, a equipe está disponibilizando a sequência do DNA de W115 para outros pesquisadores. 
     A BBC pediu ao especialista Jeffrey Barrett, que estuda fatores genéticos associados a doenças no Sanger Centre, em Cambridge, na Inglaterra, que comentasse o estudo.
"Sequenciar o genoma da mulher mais idosa do mundo é um importante ponto de partida na compreensão de como variações no DNA estão relacionadas a uma vida longa e saudável", disse Barrett.
"Mas de forma a realmente entender a biologia que sustenta uma vida longa e saudável, precisamos olhar sequências de DNA de centenas de milhares de pessoas".