sábado, 25 de agosto de 2012

Pesquisa mostra reação de defesa do corpo contra bactérias do intestino

Um estudo de uma cientista brasileira, publicado pela prestigiada revista “Science”, mostra o que acontece quando o sistema de defesa do corpo humano entra em contato com as bactérias do intestino. Os resultados dessa pesquisa devem melhorar a compreensão de como agem as doenças inflamatórias do intestino.
Normalmente, o corpo contém 100 trilhões de bactérias – são dez bactérias para cada célula realmente humana. Elas nos acompanham desde o nascimento e são essenciais para o funcionamento do organismo.


O intestino abriga boa parte dessas bactérias. Elas são capazes de quebrar nutrientes que o corpo humano não digere sozinho, e também ajudam na absorção dessas substâncias. Além disso, elas ocupam um espaço que poderia ser de bactérias nocivas, criando uma proteção natural.
O corpo tem um mecanismo para manter essas bactérias dentro do intestino e evitar que elas caiam na corrente sanguínea. O intestino é revestido por uma mucosa e tem substâncias bactericidas que não deixam
que as bactérias da flora intestinal cheguem aos demais órgãos.
Até o momento, os cientistas acreditavam que essa barreira seria intransponível. Em indivíduos saudáveis, ela realmente serve como isolante, mas a pesquisa da brasileira Liliane Martins, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostrou que existe uma exceção.
Em uma experiência com ratos, ela usou o parasita Toxoplasma gondii, um protozoário que provoca uma infecção capaz de romper as barreiras naturais do intestino. As bactérias do intestino vão para órgãos como o baço e o fígado, e o sistema imune, responsável pela defesa do corpo humano, cria anticorpos para combatê-las.
“A gente mostra que a resposta é duradoura. O corpo vai passar a combater essa bactéria”, explicou a pesquisadora. A descoberta abre uma nova perspectiva de estudos para o futuro. “A gente ainda não sabe a consequência disso”, reconheceu.
Algumas doenças inflamatórias do intestino, como a colite e a doença de Crohn, têm na sua origem uma reação exagerada do sistema imune contra as bactérias do intestino. Por isso, Martins acredita que uma melhor compreensão da relação entre esses micróbios e a defesa do organismo possa levar a algum tratamento para essas doenças.
“Hoje, essas doenças são tratadas pelos sintomas, mas não têm exatamente uma cura nem uma prevenção”, afirmou a pesquisadora.
O estudo é o resultado da pesquisa de doutorado de Liliane Martins, feita em uma parceria entre a UFMG e os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês). Ela assina o artigo junto com colegas do laboratório americano, sob a coordenação da cientista Yasmine Balkaid.
FONTE: G1