quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Os “superpoderes” dos golfinhos

Pesquisadores descobriram que os cétaceos têm uma alta capacidade de cicatrização e uma espécie de sexto sentido para caçar comida

Sexto sentido e extraordinária capacidade de regeneração: é o super golfinho

         Estudos recentes mostram que os golfinhos têm características que poderiam ser comparadas a poderes de heróis de histórias em quadrinhos. Além de o animal ter uma rápida cicatrização, que pode servir de inspiração para medicamentos para humanos, cientistas descobriram que ele é capaz de detectar campos elétricos ao seu redor, o que facilita a obtenção de alimento tanto em mar aberto quanto no solo marinho.
      O pesquisador Michael Zasloff, da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, ficou impressionado quando soube há dez anos que os golfinhos eram maciçamente atacados por tubarões e mesmo assim muitos não morriam. “Para mim, parecia impossível que um mamífero pudesse sobreviver a tamanho ferimento em pleno oceano”, disse ao iG.
          Zasloff descobriu que o segredo de sobrevivência dos golfinhos está em acumular grandes quantidades de um componente químico em sua gordura corporal. Assim, os golfinhos conseguem se recuperar rapidamente de mordidas de tubarões com aparente indiferença à dor.
        Ele explica que quando o golfinho é atacado esta substância é liberada agindo como um bom antibiótico. “A ferida do golfinho não fica infeccionada, com formação de pus ou vermelhidão. Em humanos, um ferimento deste tipo ficaria infectado pelas bactérias presentes na boca do tubarão, algo muito difícil de tratar com os antibióticos que temos”, disse Zasloff que publicou os resultados do estudo no periódico científico Journal of Investigative Dermatology.
            Quando atacados por tubarões, eles não sangram até a morte. Isto porque com estes componentes na gordura corporal, o processo de cicatrização dos golfinhos é completamente diferente do de humanos. Outra diferença é que os animais usam também de uma boa estratégia para estancar o sangue. “Eles dão um mergulho profundo após serem mordidos, o que interrompe o fluxo do sangue para a periferia do corpo do animal e permite a formação de coágulos”, disse.

Sexto sentido elétrico

        Outra descoberta recente sobre os golfinhos é sobre a capacidade de uma espécie, o golfinho da Guiana, de detectar campos elétricos dos peixes ao seu redor. Pesquisadores da Universidade de Hamburgo descobriram que esses eletroreceptores estão presentes em pequenos orifícios nos seus narizesse desenvolveram a partir de pequenos bigodes. “Esta característica torna possível uma espécie de sexto sentido”, afirma o estudo.
      A capacidade de detectar campos elétricos está presente apenas em peixes, anfíbios e mamíferos monotremados, como o ornitorrinco.